Próxima exposição:
Tristan Le Guay
Tourbillon Méditatif
de 2025-09-06
a 2025-10-02
O artista francês Tristan Le Guay apresenta Tourbillon Méditatif, uma exposição individual de pintura que irá inaugurar no próximo sábado, dia 6 de setembro, a partir das 16h, na Galeria Arte Periférica.
Tourbillon Méditatif
Há um intervalo entre o pensamento, a palavra e o gesto criativo, nesse intervalo de tempo suspenso habita o estado contemplativo e meditativo. O trabalho de Tristan Le Guay concentra-se na pintura, e explora a tensão entre o urbano e o natural. A paisagem de Lisboa, cidade onde o artista vive e trabalha, é protagonista do jogo que ora revela ora confunde em sombras e objetos que parecem ser o que não são e vice e versa.
Espaços urbanos e periféricos da cidade ganham uma fisicalidade quase orgânica na espessura pictórica e há uma recusa da idealização: o banal — prédios, transportes, avenidas, cemitério, escadas e objetos do quotidiano — surge com gravidade estética e poética. As paisagens revelam-se não como meros registos documentais mas como deformações imaginadas, o blur de um entressonho: visão e memória, real e imaginário, o espectador é convidado a deter o olhar e adentrar na ruína do tourbillon méditatif, a expressão francesa — língua mãe do artista — que dá titulo à obra e à exposição, produz uma tensão frutuosa entre o estado do artista no gesto criativo e o estado contemplativo do espectador, tourbillon: redemoinho, turbilhão, movimento caótico e vertiginoso, méditatif: recolhimento, pausa, meditação, a justaposição sugere uma meditação dentro do caos ou um caos contemplativo, o turbilhão do urbano, da memória e do quotidiano é transmutado em silêncio meditativo através do olhar, até mesmo a repetição dos formatos das telas sugerem uma insistência quase ritual na observação do outrora banal, carregado com essa vibração existencial que confunde e pode baralhar a percepção.
Lugares que passam despercebidos, um erro no caminho de volta para casa, constroem paisagens que o artista uma vez contemplou e nos revela — mas nem tanto — através de um véu, tourbillon méditatif reforça o paradoxo: a pintura que nasce do turbilhão do mundo, mas se apresenta como convite à contemplação silenciosa. Na fricção entre os dois termos, abre-se um espaço de suspensão: contemplar o caos como quem contempla o silêncio, deixar-se envolver por uma espiral turbulenta que, ao invés de nos dispersar, nos recolhe.
M. B., Agosto 2025